É sem dúvida, a frase mais badalada da minha vida! Tens várias interpretações, a minha talvez não seja a mais reconfortante, pois embora o optimismo viva dentro de mim, a esperança murcha.
Cresci, num a família grande, nunca nada me faltou, e sempre me ensinaram que a vida é uma luta. Vi os meus trabalharem de sol a sol, para nos poderem proporcionar o melhor, e eu sabia que no dia em que tivesse de escolher o meu futuro, teria de ter os pés bem coladinhos á terra. Chegada a hora, de decidir se a universidade entrava na minha vida, eu queria muito, mas também tinha a consciência que seria um grande encargo financeiro.
Na hora da decisão ninguém se opôs, eu sabia que era o sonho de alguém. E a minha recompensa também era essa, não era um sonho só meu, era partilhado. Foi ai que a vida mudou. Mudaram-se as prioridade, as vontades, a cama, a almofada, os amigos.
Talvez muitos tenham vergonha de o assumir, mas o dia da queima das fitas, é daqueles momentos que nos ficam no coração para sempre. Chorei, chorei, chorei, não sabia bem o significado daquele dia ter chegado e da responsabilidade que acarretaria. Sabia que tinha de ser borboleta e poisar em outras bandas.
Depressa iniciei actividade profissional, não na área para o que tinha dedicado quase 18 anos da minha vida, mas o pensamento incutido sempre foi: " é preciso estar pronto para embarcar, quando o barco quiser partir", e embora contra a vontade de alguns, a minha primeira entrevista, foi para uma caixa de hipermercado. Sim, o meu primeiro emprego remunerado e "legal" foi numa caixa de hipermercado, onde entre as filas de desespero, trocos contados, sorrisos rasgados e suspiros de infelicidade por não ter como comprar, que eu me apresentei durante 12 meses! era uma vida do caneco! aulas, trabalho, frequências, festas, jantares, sono e muitas outras coisas eu tinha tempo para tudo e mais alguma coisa. O último ano da minha universidade foi assim. Atribulado.
Foi aqui o choque de encarar o mundo real do trabalho, a pressão, os objectivos, as boas amizades, as más amizades, foi quando percebi, que numa fornada de cerca de 13 jovens, eu entrei numa temperatura de 200º. Sim éramos 13! acabados de ser lançados ao mundo do emprego, das oportunidades e das rejeições.
Alguns foram ficando pelo caminho, outros guardo as boas lembranças, e outros fazem parte ainda hoje da minha vida.
Fui tão feliz numa caixa de hipermercado. Acho que valeu a pena por tudo aquilo que me tornei e pelas pessoas que trouxe daquela experiência.
Terminado o curso, e o part-time, era hora de me lançar ao caminho, aquela viagem ainda mal tinha começado, e eu não achei graça nenhuma. Foram uns dois meses a inventar coisas para fazer e aprender, de um dia para o outro, eu tinha todo aquele tempo que eu pedia há uns dias atrás para dormir ou para aquele jantar, mas já não tinha vontade de o fazer.
A persistência e talvez a sorte ditou que eu fosse mais uma vez seleccionada, numa outra área completamente diferente, mas que eu abracei como se fosse o meu euro milhões! Mais uma vez estava eu no atendimento ao público,feliz sem qualquer dúvida, cheia de medos mas com vontade de dar o meu melhor.
Hoje permaneço no mesmo euro milhões! Mas a chave é outra, A experiência é outra. E a idade também é outra!
Com mais um grau académico quase terminado, a acrescentar aos anteriores, a minha visão empresarial é mais rica, mas o país está mais pobre.
A falta de oportunidades, e a ponte estabelecida entre graus académicos do pré ou pós Bolonha, criaram uma grande crise, essa sim, uma crise de oportunidades. Por experiência própria, sinto na pele essa tal dita crise oportunidades. Que culpa tenho eu de ter uma Licenciatura de 3 anos, que não me deixa concluir o percurso académico suficientemente preparada para ingressar numa empresa? porque razão eu tenho de pagar a conta, por não ter experiência na área, porque a empresa tem pressa em preencher a vaga e não há tempo para formação?
Porque razão eu não posso usufruir dos estágios profissionais antes dos 30 anos perco esse direito?
A minha caixa de correio electrónico nos últimos meses, tem estado em modo depressão. Eu já tentei somar a quantidade de Currículos enviados, mas desisti. Cheguei à conclusão que quem ficava com depressão era eu. Sabem quantas respostas? 5%, porque as poucas que respondem é o sistema automático que emite aquela bonita mensagem: "obrigado pelo seu interesse na nossa empresa, o seu currículo foi inserido na nossa base de dados para futuras possibilidades de emprego".
Como se sentiram aquelas pessoas que estão desempregadas? Como pagam as contas? Como vivem?
Tenho a certeza que muitas desistem dos seus sonhos, das suas vontades, até deixam de apoiar o seu partido politico, porque o importante é trabalhar, seja lá no que for, e as nossas escolhas e gostos podem colocar o emprego em causa!
isto é quase como, trabalhar numa empresa ambientalista, e em casa ter os esgotos a cair no terreno do vizinho!
Sonhos e ambição não pagam contas. Mas a vida é um sonho, onde os pesadelos são a tempestade, as conquistas são as insónias.
Espero poder dar continuidade.. à vez que tarda em chegar!
Um dia ainda irei escrever as minhas (re)voltas com o mundo!
Nokas Maria
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